sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Gargalhadas de Deus



Hoje Deus olhou de cima e sorriu

Riu, riu, riu,

Gargalhou da minha cara.

Com aquela pose de meter medo em qualquer um

Ele chegou perto de mim e me disse assim:

“Hoje você dorme de meias e amanhã somente Deus saberá”

Com estas meias eu pisei no chão imundo

E andei pelas madeiras molhadas.

E aconteceu que dali até hoje

Ninguém se fudeu tanto quanto eu.

E “Hoje você dorme de meias... blá blá blá blá ...Eu sou Deus!”

Minha garota se casou com o Ricardão.

Peguei meu pai na cama com meu irmão;

Minha prima ta grávida de mim.

Meu patrão me trocou por um tal de Joaquim.

Perdi cem contos numa festa por aqui,

Saquei 600, fui assaltado logo ali.

Hoje indo pra casa fui seguido por travecas

Levaram tudo meu e me deixaram de cueca.

Hoje eu durmi de meias e amanhã serei ateu

Deus sou eu.

Nada por acaso


Mera poesia

Falso mero acaso de um acontecido do lado do avesso

Que de tão travesso roubou-me a vez

De ficar tão somente sobre modo tal, quase dado,

Agarrado, junto, bem junto a ti.

Homem da neblina, se queres levar a porta de minha perdição embora,

Espere um minutinho que eu enxugo, amacio, embrulho e enfeito e te entrego...

Beba e sinta-se saciado,

Pois pela manhã não mais existirá a luz do dia;

O Sol que brilha em você é aquecido por mim.

Hoje não espere flores.

Digo a você, meu pecado maior,

O qual me desapego sem dó.

E ao “da neblina” assim cabem flores,

As mais fúnebres.

Bom dia meu arrependimento, que me tomou em forma de mulher;

E que desapareceu com a noite.

Veja! Você pode ver? Bem do outro lado do jardim...

Ainda existem borboletas

Que me arrastam por milhas e milhas, me sufocam,

Fazem-me escutar coisas que não existem em minha imaginação.

Se eu morrer aqui, minha poesia continuará a ser escrita;

Não me pergunte como

Eu estarei morta, mas um outro poeta não.

Espero que esse poeta não conheça esse mesmo caminho

Essa porta que abre para o paraíso e para o inferno

Que de tão real mete medo até no Seu Sebastião,

Padre formado, mas tarado,

Que gosta de andar sob a neblina de vez em quando.